Este Natal, a Vodafone decidiu inverter o guião habitual das campanhas festivas. Em vez de luzes, chuva de neve e famílias reunidas, surge um monólogo forte e pensativo, protagonizado pelo artista Dillaz, que faz um apelo claro: vamos combater a masculinidade tóxica e a violência contra as mulheres nas redes sociais.
Natal, Vodafone e… um minuto para calar o ódio
Sob o lema “Um minuto para calar o ódio”, a vodafone e alerta que, muitas vezes, basta um só minuto online para sermos expostos a discursos de ódio.
A campanha não fica apenas no ecrã. Através do projecto educativo Cidadania DigitALL, fruto da parceria entre a Fundação Vodafone e a APAV,a marca levará conversas sobre cibersegurança, misoginia, masculinidade (tóxica) e bem‑estar digital a escolas de todo o País. Até agora, já chegaram a mais de 10.000 estudantes em 100 agrupamentos escolares, cobrindo 45 municípios. Se isto não é o que faz a comunicação valer apena, então o que será?
Porque é que esta campanha merece a nossa atenção? E não, não é só por ser Natal!
Para uma marca como a Vodafone, com décadas a fazer parte do dia‑a‑dia de milhões, já não basta lançar “mais uma campanha de Natal”. Este ano, decidiu usar o peso simbólico da época — solidariedade, compaixão, entre-ajuda — de forma estratégica e necessária.
Escolheu o momento certo e o palco certo para levantar a voz sobre masculinidade tóxica e violência contra as mulheres nas redes sociais, um problema que, sendo a Vodafone um dos principais fornecedores de internet e comunicações, cresce diretamente dentro do território onde a marca opera.
Esta campanha assume assim, significados maiores:
-
- Coragem de usar voz própria em vez de repetir fórmulas prontas.
-
- Uso da notoriedade para trazer visibilidade a temas urgentes.
-
- Alinhamento entre propósito (tecnologia, conexão) e responsabilidade social.
-
- Uma marca que arrisca, e apostam em provocar reflexão, não apenas vendas.
Em contexto onde muitas campanhas natalícias repetem os mesmos gatilhos festivos, a Vodafone ousa confrontar a realidade. E fâ‑lo com clareza e contexto. Isto, para quem gere marcas, como nós, é ouro. A prenda certa de natal, diria.
Comunicação com impacto: o que esta acção revela
- Relevância real > estética festiva: A campanha não aposta nas luzes ou no “sacrifício emocional” da nostalgia. Aposta em mensagem. Em verdade. Em consciência.
- Consistência social + função educacional: Com o apoio da APAV e da Fundação Vodafone, a campanha não é só simbólica. Traz ação concreta, com alcance (escolas, sensibilização, formação).
- Risco calculado, com retorno em reputação: Marcas que falam de tabus correm riscos. Mas quando o fazem com coerência e compromisso, criam autoridade, não só marketing.
Para ti, que estás a construir marca (pessoal ou corporativa)
Esta campanha é um case‑study para quem acredita que marca é mais do que logo e slogan. Se estás a construir a tua presença, pensa em:
- Que causas têm sentido para ti e estão alinhadas com a tua comunidade?
- Até onde estás disposto a usar a tua visibilidade para a mudança?
A Vodafone não levantou apenas um copo este Natal. Levantou a voz. E isso muda o jogo.
Porque o marketing não é sobre likes. É sobre olhar. E, quando isso acontece, a publicidade deixa de ser campanha, e torna‑se personalidade e causa. Que bom.